Moonlight - Um justo vencedor dos Oscars?



Bem, posso considerar que sim, face à concorrência deste ano. Bons filmes, sem dúvida, mas dos que vi (não vi todos os nomeados mas quase) Moonlight acabou por justificar o título de vencedor. Tinha grandes expetativas em relação a "La La Land", o afamado musical que tantos prémios ganhou e que tanta gente convenceu. Vi o filme de Damien Chazelle convencido de que me iria arrebatar, pois até os mais céticos pareciam convencidos. Confesso que gostei, mas não me deixou maravilhado. Boas interpretações dos protagonistas, sobretudo da bela Emma Stone, filme bem ritmado, com excelentes músicas, mas que deixou uma sensação de... "faltou qualquer coisa". Terá sido um final diferente do esperado? Talvez. Hoje em dia os realizadores parecem apostados em fugir aos finais felizes, isso é passado. Um filme para ser marcante terá de ter um final diferente, fora do esperado, invulgar, em aberto. Aceito que certos filmes precisem deste tipo de decisão. Mas, para mim, "La La Land" teria de ter um final feliz, emotivo, arrebatador. O encher o coração do espetador seria o toque necessário para se tornar inesquecível. Assim, para mim, será um bom musical que me entreteu mas não deixou com vontade de repetir.  

"Manchester by the Sea" poderia, igualmente, ter justificado o prémio de melhor filme, mas só pode ganhar um. Mas o Oscar de melhor ator ficou muito bem entregue, Casey Affleck esteve brilhante. "Moonlight" acabou por vencer (apesar de ter estado cerca de 3 minutos a chorar a derrota, que erro incrível na cerimónia!) e venceu bem. Uma história bem contada, com o crescimento de Chiron dividido por capítulos e em que cada um sentimos a evolução do menino/jovem/adulto e a forma como as suas ações, decisões e interações acabaram por influenciar a sua vida. Incrível como se sente, por exemplo, a presença de Juan (Mahershala Ali) durante todo o filme, mesmo após se saber que este tinha morrido. Um drama com bastantes dilemas morais, em que se percebe que as nossas decisões em determinado momento poderão mudar por completo o nosso destino. Onde se percebe que as pessoas que nos rodeiam poderão ser fundamentais para o nosso futuro. Onde se percebe que uma mãe, mesmo que por vezes só o seja no nome, será sempre mãe. 

Um desfecho com um dos finais que falei no início do texto, em aberto, algo vago, mas que foi mais que suficiente para encerrar uma história interessante, bem interpretada, com um grande argumento. 

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